sábado, 8 de agosto de 2009

Absurdamente

Discurso sobre uma guerra

Algumas pessoas nasceram para não se darem bem, pois têm ideais muito diferentes. Mas se você pensar bem, não é desculpa para uma guerra a todo instante. Tudo bem, essas não se dão bem. E não se importam de estarem longe uma da outra. Quero mesmo falar das pessoas que têm tudo para se darem bem, uma com a outra, mas há sempre uma guerra. Algumas vezes o motivo da guerra é absurda e estupidamente idiota, insignificante, bobo. Todos os envolvidos na guerra tapam os ouvidos, fecham os olhos e soltam o verbo (rápido e dolorido como balas de armas de fogo e afiadas como a lança da baioneta). Os adjetivos são as armas mais cruéis. Todos gritam e se tiver portas, batem portas como Napoleão bateria e se tiver público, direcionam a fala para o público a fim de ganhar aliados. Não é segredo para ninguém, numa guerra não há quem ganhe, todas as partes perdem.
Quando a poeira abaixa, depois de ferir e ser ferido, há o silêncio. Todos se calam e assim ficará por algum tempo. A sensação de vazio e culpa é a pior, como um soldado que volta para seu canto, refletindo, desejando estar de volta ao lar, sentado na mesa do jantar com a família e amigos em volta. Desejando nunca ter ido à luta.

domingo, 19 de julho de 2009

Honestamente

Honestamente foi o meu primeiro discurso ~mente. Como foi escrito com a cabeça quente fiquei receosa em postar aqui, então adiei. Mas como foi (espero que fique claro) escrito com a cabeça quente, não há porquê não postar.

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Honestamente
Discurso com a cabeça ainda quente

Honestamente eu não sei se o fato de pessoas que se importam com pessoas que não se importam é um problema ou uma solução. Achei ser a solução, mas comecei a duvidar. Por hora não sei a resposta dessa questão, honestamente. Também não sei se estou certo em dizer isso, mas acredito que sou uma das pessoas que se importam com pessoas que não se importam. Muitas vezes isso acontece involuntariamente, quando percebo, voilà, já me importei. E até um tempo nem percebi que isso tanto me afetava e me afetaria. Eu me magoei, fiquei triste e com raiva. Ah sim, claro! Também tenho sentimentos; eu me magoo, fico extremamente triste e sinto raiva, esses sentimentos não foram concedidos somente a algumas pessoas, todos temos direito de sentir raiva, ficar magoados e tristes. Não sou um ser desprovido de sentimentos. Mas, sim, muitas vezes escondo, outras escondo de mim mesma, desviando o olhar para outros ângulos, e outras, ainda, respiro muito fundo e conto até 10, até mil se precisar. Talvez esses sentimentos passem despercebidos aos olhos de outras pessoas. E talvez as pessoas que não se importam nem percebam a importância dada a elas pelas pessoas que se importam. Às vezes nem sabem o quanto dói para uma pessoa que se importa o rechaço de uma importância dada.
E muitas vezes as pessoas que se importam se corroem de remorso achando terem feito algo errado, sentem-se culpados e vilões, quando, na realidade, não são e não fizeram nada de errado. Algumas vezes fizeram algo de errado sim, mas quem não faz? O maior problema é que o algo errado é visto em maiores proporções.
Veja, não estou falando que ser uma pessoa que não se importa é ser uma pessoa ruim. Definitiva e honestamente não é isso! Ser uma pessoa que não se importa é ser uma pessoa bastante egoísta. Simplesmente está na natureza delas.
Nem estou dizendo que pessoas que se importam são santas. Ser uma pessoa que se importa é ser uma pessoa tolerante, aceitam mais as pessoas como são, e claro, ingênuas.
Quanto à minha questão, achei que pudesse ser a solução, pois haveria um equilíbrio. Mas algumas coisas podem acontecer, entre elas a pessoa que se importa não conseguir mais contar até 10 ou mil (acabar parando no 8 ou 800) ou não se importar mais com a pessoa que não se importa, mesmo que em seu interior se importe e se machuque por isso, mas uma hora ela realmente pode cansar de se magoar sempre.
E temos outro problema: outras pessoas (sejam elas as que se importam e as que não), em torno de uma pessoa que se importa e de outra que não se importa, sempre se importam mais com as que não se importam. A razão disso se dá por que as pessoas que não se importam aparentam sempre estar mais deprimidas e carrancudas que as que se importam. E mesmo que as que se importam, um dia, estejam deprimidas, as pessoas em volta pensam: ela consegue superar numa boa (por motivos ditos acima – às vezes é preciso esboçar um sorriso por semanas). Sim, mas nem sempre conseguem, acho que isso precisa ser esclarecido. E às vezes acontece de as pessoas que não se importam se mostrarem mais deprimidas que as que se importam só para ganharem atenção extra. E olha que dentre as pessoas em volta estão, como havia dito, pessoas que se importam! Mas não é uma deslealdade, é, simplesmente, porque elas são (nós somos) tapadas quanto a isso ou porque queremos evitar que as pessoas que não se importam fiquem chateadas ou nervosas ou emburradas ou bravas (atenção aos que não se importam, isso se chama dó). Ou às vezes as pessoas acabam se sentindo mal por... vai saber qual o motivo! (porque as pessoas que não se importam sempre despertam esse sentimento nos outros)... e tentam recompensar de alguma forma. E quando isso acontece a qualquer uma das pessoas que se importa, deixa-a arrasada!
Eu posso estar sendo dura, estou? Não sei, mas estou com a cabeça bem quente, pois chega uma hora que você está prestes a explodir e precisa conter, de alguma forma, a explosão, até porque, algumas vezes, as pessoas que se importam são mal vistas mesmo em pequeninas explosões. As explosões nunca são aceitas se vindas das pessoas que se importam.

E, honestamente, não sei se alguém irá entender que esse discurso foi escrito com a cabeça ainda quente!

sábado, 28 de março de 2009

Não-exatamente

(discurso sobre uma das consciências pesadas)

Já não te aconteceu de, de repente, acabar magoando alguém sem intenção ou por causa de uma não-exatamente-intenção? Falei algo, fiz algo, não fiz algo, não falei algo, espirrei... Às vezes acho que minha consciência é fraca e acaba sentindo facilmente o peso de algumas atitudes não-intencionais ou não-exatamente-intencionais. Isso me esmaga por semanas ou até que fique tudo bem, principalmente quando são as não-exatamente-intencionais. As não-exatamente-intencionais são aquelas que você fez algo (e sabe disso), mas não era com aquela intenção exatamente. O pior é quando ela toma o rumo que não devia – às vezes por causa de outros. E pior ainda é quando você não consegue, de forma alguma, arrumar a situação. Se isso serve de consolo para as nossas vítimas, também nos sentimos péssimos, sem saber o que fazer para nos desculparmos ou punirmos. Também é necessário levar em consideração uma coisa: às vezes acontece de não percebermos que alguém se magoou por algo que fizemos.

Existem aqueles que não ficam com a consciência pesada. Não, não estou me referindo àquelas pessoas que fazem coisas intencionalmente, mas sim àquelas que fazem coisas sem intenção ou não-exatamente-intencionais e felizmente – talvez – não ficam com a consciência pesada.
Talvez minha consciência precise fazer musculação!

~mente

O título dessa série de discursos está relacionado com o advérbio e com o substantivo. Também não tem propósitos de difamar ou acusar. São textos ácidos. Sim, são! Outros não. O bom ou mau uso e o ponto de vista estão por conta do leitor e de sua consciência. Reflita (pois aqui não tem apenas um lado a ser observado). Vou me preocupar se você não o fizer ou se você não procurar outros ângulos. Por isso, deixo a minha mais preciosa advertência: se não quiser refletir, não leia. Falo sério! Não é um joguinho para você ler. Se você realmente não consegue refletir, não perca o seu tempo nem faça o meu tempo parecer perdido. Volte quando conseguir.


Sinceramente,
Anon